As sociabilidades urbanas constituem um dos conceitos centrais para a análise das interações sociais no ambiente citadino. O termo remonta às reflexões de Georg Simmel, em especial seu ensaio A Metrópole e a Vida Mental (1903), no qual o autor descreve como a intensificação da vida nervosa, a economia monetária e a atitude blasé moldam as relações entre os indivíduos nas grandes cidades. Louis Wirth, em O Urbanismo como Modo de Vida (1938), amplia essa perspectiva ao caracterizar a urbanidade como uma forma específica de associação, marcada pela heterogeneidade, pela mobilidade e pela segregação ecológica. Essas ideias fundacionais ainda inspiram boa parte da pesquisa contemporânea sobre a cidade, especialmente no campo do serviço social e da sociologia urbana brasileira.

No Brasil, o estudo das sociabilidades urbanas adquire relevância particular diante das profundas desigualdades territoriais e dos processos históricos de exclusão que configuram as metrópoles. O Grupo de Pesquisa Sociabilidades Urbanas, Espaço Público e Mediação de Conflitos (GPSEM), vinculado ao PPGSS/UFRJ, dedica-se a investigar como os citadinos constroem relações de vizinhança, de solidariedade e de conflito no espaço urbano. A produção do grupo articula teoria social clássica com pesquisas empíricas realizadas em diferentes contextos da cidade do Rio de Janeiro e de outras regiões metropolitanas, contribuindo para a compreensão da dimensão societária da vida urbana.

A partir dessa matriz teórica, o GPSEM organiza suas investigações em seis eixos interligados, que desdobram o conceito de sociabilidades urbanas em temas específicos:

Espaço público nas cidades brasileiras

Analisa praças, parques, calçadas e outros logradouros como espaços de encontro, troca simbólica e exercício da cidadania, considerando as especificidades do contexto urbano brasileiro.

Periferias urbanas e dinâmicas de sociabilidade

Investiga as formas de interação em contextos periféricos, marcados pela carência de infraestrutura, pela violência institucional e pela criatividade social dos moradores.

Direito à cidade: origens e debates atuais

Fornece o quadro normativo para pensar a justiça espacial e o acesso igualitário aos bens urbanos, mobilizando autores como Henri Lefebvre e David Harvey.

Convivência e conflito no espaço urbano

Examina a tensão entre a necessidade de ordem e a demanda por reconhecimento das diferenças, focalizando áreas de fronteira simbólica e territórios de disputa.

Mediação de conflitos urbanos

Explora ferramentas teóricas e práticas para lidar com litígios de vizinhança, questões fundiárias e tensões intergrupais, aproximando a academia das políticas de resolução alternativa de conflitos.

Usos e apropriações do espaço público

Investiga como diferentes grupos sociais se apropriam dos lugares coletivos, produzindo territorialidades provisórias ou permanentes e atualizando o direito à cidade no cotidiano.

Cada um desses eixos agrega artigos, dissertações, relatórios de pesquisa e materiais de seminários que podem ser consultados nas respectivas páginas temáticas. Convidamos os interessados a explorar esses conteúdos para aprofundar o conhecimento sobre as sociabilidades urbanas no Brasil contemporâneo e acompanhar as contribuições do GPSEM para o debate acadêmico e para a formulação de políticas públicas voltadas à cidade.